terça-feira, 6 de novembro de 2012

Reflexo de suas orações

(De frente ao espelho) Mestre – Por muito tempo orei, só. Mas nunca só estive. Espelho – Suas orações foram seu alento. Mas completou seu universo? Mestre – O universo nunca estará completo. Por isso não me engano em orar. Espelho – Se apenas as orações completassem seu universo você não estaria de frente a um espelho. Mestre – Estou apenas limpando o que ficou embasado em minhas orações. Espelho – Se está embasado, anda respirando demais de frente a ele. Mestre – Devo então deixar de respirar? E achar que minha missão está completa? Espelho – Tente não respirar, se você morrer sua missão está completa. Senão, ao menos tente acordar e respirar, pois percebera que sua missão não está completa.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Folhas



Discipulo - A quanto tempo esta ai senhor?

Senhor - Desde de sempre.

Discipulo - E o que observa com tanto alento?

Senhor - As folhas que caem.

Discipulo - Mas elas caem todo ano, quais lhe seriam surpresa?

Senhor - Essa nova que cae.

Discipulo - E' uma folha como a outra.

Senhor - Entao voce nao observou bem a que caiu antes.

Discipulo - Verdade, nao estava aqui quando ela caiu.

Senhor - Isso ja muda tudo. Estar onipresente nao e' possivel para ninguem.

Discipulo - So' Para Deus nosso senhor.

Senhor - Ao menos eu estava aqui quando a ultima caiu e lhe digo nenhuma e' igual a outra,

Discipulo - E que diferenca faria se eu estivesse aqui.

Senhor - Muita, Voce perceberia que a ultima nao foi igual a anterior, o vento e o tempo seriam diferentes, e ela nao cairia da mesma forma, e o nosso onipresente senhor nao veria apenas uma folha e um observador. Veria uma folha e dois observadores. E isso tornaria o mundo diferente.

Discipulo - Para melhor ou para pior.

Senhor - Ai' pergunte ao seu senhor, aqui s'o posso observar as folhas que caem.

Discipulo - E no que isso pode te ajudar?

Senhor - Me distrai, me faz perceber que as coisas mudam, que folhas caem e nascem, e que eu nao sou o mesmo do que fui a um segundo atras.

Discipulo - Entao so' devo observar?

Senhor - Acho que sim, as coisas simples.

(E todo o outono passa)

Discipulo - O inverno chegou e as folhas nao caem mais...

(silencio)

Discipulo - Senhor, ainda estas comigo?

(e o recepcionista da estalagem se aproxima)

Recepcionista - Homem, o inverno chegou ja conversaras em deveras com o senhor... Que ja' partiu.

Discipulo - Ficarei. Pois ao contrario ele acabaste de chegar. Pois e's onipresente. E seus cristais comecam a chorar na nossa primeira noite de inverno. E ira proseguir por todas as estacoes. Pois as folhas que cairam e eu nao vi desta vez... Farei questao de ver a neve que cae e irao me mostrar a diferenca que ha' entre uma e outra. E assim entenderei as folhas que cairam no outono e infeliz estava himbernando. Pois cada grao e' diferente ao outro, e cada estacao e' diferente a outra. Assim como nos e nossos sentimentos.

(E os primeiros cristais de neve comecam a cair)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dialogo com os animais





Em seu templo ainda sozinho o mestre resolve passear por um bosque proximo ao seu jardim.

Mestre – Apos anos de reflexao, contemplamento, e solidao. Fico feliz em ter conseguido o dom de conversar com seres que outras pessoas nao conseguem. Por isso hoje cabe um dialogo com esses outros seres vivos.

(O mestre se senta ao meio de uma clarera e' em posicao de Lotus fecha os olhos e medita)

Mestre – Ola’ grande urso que se aproxima. Nao se sinta encorajado a um ataque devido a minha inercia, pois perceberia a sua chegada a kilometros daqui.

Urso – Tambem Senti a sua prensenca assim que chegou a essa clarera, meu alfato e’ agucado, e embora eu desconheca os poderes humanos, embora saiba que sao destrutivos fico feliz em saber que um deles possui o mesmo alfato que o meu, isso pode nos aproximar.

Mestre – Infelizmente, nao foi o meu alfato que me alertou sobre a sua presenca foi a minha audicao, seus movimentos sao bruscos, seria possivel perceber a sua aproximacao mesmo que eu estivesse dormindo.

Urso – Desculpe entao a minha grosseria, verdade, nao sou muito sutil. Mas nao se preocupe nao lhe farei mal, nao estou com fome, alem do mais a carne humana nao me e’ apetitosa. Prefiro conversar com voce ja’ que e’ o unico homem que conheco que consegue me ouvir e me responder.

Mestre – Nao sou o unico. Entretanto hoje sou so’ eu. Sentesse e relaxe, embora esteja proximo a seu periodo de hibernacao lhe cabe contemplar um pouco mais a sua casa, pois so a veras de novo em outra estacao.

(O urso encosta proximo a uma enorme arvore brica com alguns insentos e observa a paisagem ao seu redor.)

Urso – Sente o cheiro de penas, homem?

Mestre – Nao o cheiro como lhe disse, mas ja’ estou a vendo a minutos nos sobrevoando.

Urso – Como podes estar vendo que ela nos sobrevoa se estas de olhos fechados?

Mestre – Os olhos sao apenas uma ferramenta do nosso corpo para que a nossa mente veja as coisas. E’ possivel enxegar sem eles, voce se surpreenderia com a capacidade de alguns humanos desprovidos da visao de enxergar a sua volta.

(Uma aguia pousa sobre o galho de uma arvore enfrente ao urso e a esquerda do mestre)

Aguia – Essa e’ uma visao bem curiosa, grandes seres do topo da cadeia alimentar sentados lado a lado.

Mestre – A rainha do ceu tambem deve se sentir muito lisongeada ao estar nesse grupo que pertecem a esse topo.

Aguia – Sim. E’ verdade. Embora eu nao possa desfrutar de alguns prazeres que voces possuem.

Mestre – Nao reclame, voce possui um dos mais invejados dons da natureza.

Aguia – Como o senhor disse a visao e’ relativa e meus olhos embora muito apurados, ainda nao me permitem sentir o que voces sentem com o tato.

Mestre – Enganou-se em pensar que falava de sua visao. Digo do seu dom de voar. Muitos seres vivos gostariam de tocar o vento com suas maos, patas e alguns que nao podem voar ate com suas asas. Entretanto como isso e’ algo tao normal para voce, talvez nao tenha percebido a importancia do voo.

Aguia – Tens razao. E sobre o que conversam?

Urso – Pelo o que entendi ate agora sobre observar o que nos rodeia.

(E o mestre esbosa um sorriso sutil)

Mestre – Aguia contenha-se em seu lugar, pois teremos uma nova visita e nao ouse ataca-la.

Aguia – Nao vejo nada que eu possa atacar no momento.

Mestre – Entao deveria agucar a sua visao.

(Uma marmota sai do chao, observa tudo ao seu redor e rapidamente volta para a toca)

Mestre – Cara mamorta, embora seja tao pequena nao tenhas medo. Aqui estaras protegida.

(Ela estao volta a superficie)

Marmota – Desculpe a minha indelicadesa, mas sabe como e’ perto de voces me sinto muito pequena e fraca, uma presa facil.

Mestre – Nao se diminua, ninguem aqui possui o dom de ficar tanto tempo no escuro, as trevas nos atormentam, ninguem aqui e’ capaz de cavar tao fundo e criar tuneis tao perfeitos como voce. Alem disso voce possui uma boa mordida. Entao nao tema o que as vezes parece ser grande. Ja vi grandes virar pequenos frente ao medo e pequenos conquistarem o mundo.

Urso – Mas o tamanho e a forca podem nos dar muito poder.

Mestre – Poder ilusorio, ja vi grandes nacoes cairem, e grandes guerreiros sangrarem, alem do mais nao se esqueca voce ainda faz muito barulho.

(A aguia desce da arvore e pousa no ombro do mestre)

Mestre – Espero que a sua aproximacao seja apenas para um contemplamento mas pleno dos que nos contemplamos. Se for por outro motivo, tenho a certeza de que ira falhar em sua vontade.

Aguia – E como sabes que irei falhar. (Sussura para o mestre) Ela nem esta me vendo, esta se cocando.

(E a aguia da um bote na marmota, que rapidamente entra em sua toca, e reaparece em outra do outro lado do mestre, a aguia fica com a cabeca presa no buraco em que a marmota estava)

Mestre – Perdoe-me cara marmota, ela ainda nao sabe enxergar direito. E agora provavelmente estas cega, aonde voce mais pode enxergar, pelo visto tambem nao saber ouvir e pouco sabia de seu tato, mas nao a mate com as suas pressas fortes, agora que ela e’ um alvo facil, ofereca-lhe o perdao. Por sua ignorancia.

Marmota – Nao o farei. Ao contrario, irei desfrutar um pouco do prazer que ela mesma lhe retirou.

( A marmota sai da toca sobe a arvore, e deita no galho aonde a aguia se encontrava no alto da arvore)

Urso – Como esta ai em cima?

Marmota – O vento bate forte, e os raios do sol tocam os meus pelos de forma divina, embora eu pareca aqui em cima um alvo facil, ter uma visao do alto realmente nos da a sensacao de poder, mas sei das minhas limitacoes e aqui nao e’ meu lugar, mas desfrutarei desse breve previlegio enquanto a aguia nao consegue sair do buraco. Homem uma pergunta, como sabias de minha aproximacao?

( O mestre sorri )

Mestre – Sou um ser da terra assim como voce, e temos os tato como um grande dom, meus pes e minhas maos podem tocar o solo, e nele sentir as vibracoes do que se aproxima, e mesmo que voce estivesse sendo sutil ao escavar seus buracos, meu corpo sentiu um leve tremor que me fez perceber a sua aproximacao.

Urso – E por que eu nao senti?

Mestre – Ainda nao consegue contemplar, observas mais nao contempla. Estava ocupado brincando com alguns insentos.

(O urso entao relaxa e tenta contemplar o que esta a sua volta)

Urso – Agora nao posso estar enganado, estou sentindo a prensenca de mais uma visita.

Mestre – Certo caro amigo, o cheiro da raposa esta bem forte.

Urso – Nao senti a sua aproximacao pelo cheiro, estava com a respiracao presa tentando sentir o que me rodiava. E percebi o som das folhas que estao no chao se mecherem, alem de movimentos rapidos e sutis de um lado para um outro movimentos bem mais leves que o meu. E possivel sentir e perceber com mais facildade o que nos e’contrario a assim como a angustia da aguia em nao enxergar agora, e o prazer da mamorta em estar no alto.

(Mestre Sorri)

Raposa – Embora eu estivesse a kilometros de distancia estava muito claro tudo o que diziam, ouvia bem todas as palavras, e por isso resolvi me aproximar dessa bela reuniao.

Mestre – Assim acontecem os dialogos, apenas ouvir embora seja mais importante nao torna completo o dialogo, falar o que pensa e’importante para enriquecer nossa sapiencia.

Raposa – A muitos anos escuto demais, e falo de menos. E trago a minha reclamacao sobre voces seres humanos.

Mestre – Sou todo ouvidos.

Raposa – Bom saber que existe um homem que possa ouvir o que digo, alias o que acredito que todos nos temos a dizer. Eu nao entendo o que voces entendem, se dizem tao racionais e sao tao ignorantes, se dizem tao fortes e sao tao fracos, se dizem tao espertos e sao tao burros, se dizem tao seguros e tem medo do que nao conhecem, se dizem tao felizes e sao tao triste que descontam sua tristeza em nos, se dizem tao perfeitos mais mal conseguem, ver, enxergar, ouvir, sentir, ou tocar de verdade assim como nos tocamos o que nos rodeia. Sao incapazes de perceber o que lhes rodeiam. Acreditam que sao o centro do universo e ainda assim sao tao solitarios por que nao conseguem se sentir plenos em estar no centro do universo e da natureza. Desculpe minha franqueza caro humano que me escuta, mas acredito que devido a minha racionalidade bem inferior a de voces, eu nao consiga entender determinadas acoes que voces comentem contra nossa casa, nossos irmaos e a si mesmos. Novamente me desculpe, so’ vim aqui para desabafar, ja’e’hora de partir, escuto o som de alguns caos latido obrigados a me cacar, e o som de algumas cavalgadas de cavalos que carregam humanos que os domaram assim retirados de sua libertade apenas para oferecer conforto as pessoas e receberam alguns cubos de acucar e feno em troca. Adeus.

(A Raposa foge ligeira, a marmota olha para o mestre e ve uma lagrima escorrer entao desce da arvore e entra em uma toca, a aguia finalmente consegue se libertar, olha para o mestre triste e segue em seu voo. Por fim o mestre se levanta da sua posicao de lotus e se retira da clarera triste e pensativo, o urso fica so’, se aproxima de uma comeia, retira um pouco de mel com suas patas e volta a sentar-se).

Urso – Homem, Raposa, Aguia e Marmota... sei que de alguma forma podem me ver, sentir, ouvir, ou perceber a minha prensenca nesse mundo, e o que estou dizendo. Aqui somos todos discipulos, no eterno aprendizado que e’a vida. Fugimos, cacamos, corremos, morremos, amamos e outros amos... Nao me cabe mais divergir, defender ou criticar tudo que foi dito aqui. Me acabe agora sozinho apenas desfrutar do que me foi oferecido. De forma harmoniosa para com a minha casa, tomo esse mel, delicioso, o mais gostoso, que apenas eu agora poderei sentir. Pois embora nao tenhamos conversado sobre o paladar, esse sentido e’muito melhor sentir do que falar, ver, ouvir ou tocar. O gosto pela vida deve ser como nossa lingua que toca o mais gostoso mel. Doce.